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Estrela, estrela
Como ser assim
Tão só, tão só
E nunca sofrer
Brilhar, brilhar
Quase sem querer
Deixar, deixar
Ser o que se é
No corpo nu
Da constelação
Estás, estás
Sobre uma das mãos
E vais e vens
Como um lampião
Ao vento frio
De um lugar qualquer
É bom saber
Que és parte de mim
Assim como és
Parte das manhãs
Melhor, melhor
É poder gozar
Da paz, da paz
Que trazes aqui
Eu canto, eu canto
Por poder te ver
No céu, no céu
Como um balão
Eu canto e sei
Que também me vês
Aqui, aqui
Com essa canção
Vitor Ramil
Ela é tudo de bom
Sabe qual é o som
Nada do Leme ao Leblon
Usa um esmalte marrom
Batom do mesmo tom
Ela é mais que demais
Manda num gato malhado
Sempre colado ao lado
O par mais apaixonado
Mas
O namorado
Tem namorado
O namorado
Tem namorado
(Que importa o que se diz
Se a tarde cai num tom feliz
E a brisa bate leve e não tem medo
Se a onda quebra em pérolas e verdes tão sutis
E a luz do sol no céu não tem segredo)
O namorado
Tem namorado
O namorado
Tem namorado
Caetano Veloso
Eu sou um livro aberto sem histórias
Um sonho incerto sem memórias
Do meu passado que ficou
Eu sou um porto amigo sem navios
Um mar, abrigo a muitos rios
Eu sou apenas o que sou
Eu sou um moço velho
Que já viveu muito
Que já sofreu tudo
E já morreu cedo
Eu sou um velho moço
Que não viveu cedo
Que não sofreu muito
Mas não morreu tudo
Eu sou alguém livre
Não sou escravo e nunca fui senhor
Eu simplesmente sou um homem
Que ainda crê no amor
Silvio César
toni platão
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Meu amor pode me acordar feito raio de sol que invade o quarto pela persiana torcida ou pelo esgarço da cortina e me fazer sair arrastado, quase sonâmbulo, abrir a porta da cabana e deparar com o mar de azul sereno me esperando: eu, a onda gelada e meu corpo desnudo e estranho. Meu amor pode ser próximo mas não pode querer ficar colado em mim que nem o selo daquela enésima carta com as mesmas palavras gastas de amor já usado. Não pode me espremer feito laranja obrigada a virar suco sem chance de querer outros rumos, outra receita ou outros copos fora da sua jarra. Meu amor pode sentir falta mas tem que me esquecer para, de repente, se lembrar e mandar uma asa-delta ou um balão passear pela janela do apartamento com uma breve declaração de amor. Pode se lembrar mas não pode me seguir pelo rastro dos meus recados, dos scraps ou das chamadas identificadas. Meu amor pode ficar curioso mas tem que passar incólume pela minha agenda aberta nas páginas de endereço e lá não olhar. Meu amor pode discutir e até se irritar mas não quero ouvir gritos na madrugada, nem portas que arrebentam meus tímpanos nem vir me apertar ou me empurrar na porta da escola, no hall de um cinema ou quando seu olhar imaginar que o meu escorregou em busca de uma outra beleza. Meu amor deve ser mais que paz. Meu amor deve ser meu amigo que consiga,se tudo terminar, visitar meu refúgio, ajudar nos naufrágios e não querer meu martírio. Meu amor deve ser límpido e não me querer obscuro ora fugindo dos seus azares ora me agourando o futuro. Meu amor, se amor de fato, saberá me reconhecer pelo tato, pelo olfato, pelo paladar da minha boca dentre outras bocas pelo escutar do meu sussurro diante dos gritos. Meu amor haverá de saber tudo e mesmo assim guardará sigilo. Meu amor, se me amar, trocará carinhos, encontrará todos os desejos mas criará um lago de margens para que nossos encontros não sejam fáceis nem rápidos e para que o movimento de nossas braçadas nos alcance um ao outro desejosos e cansados. Meu amor não me prenderá em retratos de carteira, em jantares de trabalho nem em programas que pouco me falem. Meu amor saberá ser livre pois só livre saberá dar valor quando, em meio a muitos, sentir a minha falta. E eu, estando sozinho, agradeça pela solidão passageira. Meu amor não será o mais belo, nem o mais rico, nem o mais sábio, nem o mais forte ou mais terno que qualquer outro. Meu amor será o que será para mim. E eu serei o que já sou. Entre nós e para nós, o pouco que falta em um se compensará no muito que sobra no outro. Meu amor a mim não se comparará mas será a parte que me completa. Meu amor não me tirará dos meus nem me dará de presente aos seus. Um amor maior saberá repartir e dar a todos a nossa melhor parte. Meu amor será sempre intenso mas não será alarde. No final, se finalmente houver, meu amor será barco, será cais, será meu mas apenas um pedaço. Se o outono vier a um primeiro buscar meu amor não será lágrimas. Será o meio de eu estar e me fazer lembrar. Meu amor pode fazer, então, o que de mim quiser.Serei apenas átomo, carbono no éter do espaço. Alguém a observar seus passos. Leves. Bem leves.
Luiz Claudio Lins
Campinas, Outono de 2007
| * Prêmio de público, crítica e júri no III Festival Paulínia de Cinema |
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