18.10.10

laura na califórnia

 laubike


Ela é minha menina
E eu sou o menino dela
Ela é o meu amor
E eu sou o amor todinho dela
A lua prateada se escondeu
E o sol dourado apareceu
Amanheceu um lindo dia
Cheirando a alegria
Pois eu sonhei
E acordei pensando nela
Pois ela é minha menina
E eu sou o menino dela
Ela é o meu amor
E eu sou o amor todinho dela
A roseira já deu rosas
E a rosa que eu ganhei foi ela
Por ela eu ponho o meu coração
Na frente da razão
E vou dizer
Pra todo mundo
Como gosto dela
Pois ela é minha menina
E eu sou o menino dela
Ela é o meu amor
E eu sou o amor todinho dela
A lua prateada se escondeu
E o sol dourado apareceu
Amanheceu um lindo dia
Cheirando alegria
Pois eu sonhei
E acordei pensando nela
Pois ela é minha menina
E eu sou o menino dela
Ela é o meu amor
E eu sou o amor todinho dela
Minha menina,
Minha menina

 

A Minha Menina

(Jorge Ben Jor)

terceiro amor

O primeiro amor já passou
O segundo amor já passou
Como passam os afluentes
Como passam as correntes
Que desencontram do mar
Como qualquer atitude
Também passa a juventude
Que nem findou de chegar

Como passam as gaivotas
Como passam as derrotas
Ilusões de pedra e cal
Como passam os perigos
E tantos muitos amigos
Sem deixar nenhum sinal

como passam os conselhos
Como passam os espelhos
Fantasias carnavais
Inocências perdidas
Como passam avenidas
Corredores, temporais
A correnteza dos rios
Como passam os navios
E a gente acena do cais
 


Francis Hime

   
Cacaso (1944-1987)



Hugo Dias - solidao - T1 - 96

 

Para o Affonso, que de tão diferente, se parece comigo

 

Quando me abandono, quase sempre, é inesperado e imprevisto. Pode ser ao divisar na multidão aquele olhar que sorri rápido e com medo de ser flagrado. Pode ser num toque furtivo ou ao falar: por favor, até mais, obrigado. Vem assim, sem esperar, esse novo devaneio. Aí, mais uma vez, me perco. E adentro, quase sonâmbulo, no território perigoso do prazer. E lá, sem muito esforço, volto no tempo, releio cartas, relembro. Percebo novamente meu assombro: será que vale a pena se jogar do precipício? Será? Ainda sei voar? E de repente os dias, antes riscos ríspidos no calendário de papel, ficam lindos. Nesse estado e nesse torpor,os passos saem do compasso e quase salto. Volto a ser um acrobata: me agarro em emoções ainda que sabendo que, neste cadafalso, o tempo não é infinito e nem me dará sustento. Mas basta o olhar, o rever e o acaso de reencontrar, que já me dou por satisfeito. Ultrapasso veloz os medos e a voz sai clara. Nem gaguejo ou titubeio. Só penso que se estiver no local certo, na hora certa e com o movimento exato, há muita chance dele estar. Se vamos nos conhecer ou se vou me esconder, quando os carros passarem, só o medo dirá. Confesso que nesse estado absorto, essas preocupações são ínfimas. Encantado que estou, sorte, azar, fome ou dinheiro estão muito aquém do que preciso. No momento, nada me atinge: sou um mito. Alimento-me dessa magia, que para olhos frios, pode sugerir agonia. Mas não. Esse ziguezaguear perambulado por ruas e avenidas é a verdadeira vida. Esse movimento ávido, em busca do imaginado, é o que me dá cura, agasalha e me faz companhia. Se será hoje, ou daqui há alguns pares de dias, que vou ter ou que tudo vai terminar, não dou a mínima. Solitário, guiado pelo desvão, sei que essa chance, esta possibilidade amaina a loucura de estar sempre sóbrio e são. Nessa vida, breves são os momentos que temos um pouco de certeza fora do nada. Uma emoção mais forte ali, um pânico acolá ou um descontrole raro. Na maior parte do tempo estamos lúcidos, dormindo ou chatos. Vou aproveitar mais um surto nefelibata. Mesmo que eu confunda os corpos ou que ele não tenha olhado de fato. Estou desaparecido e nem deixo pistas do meu paradeiro. Por isso posso lançar-me em todas as direções e quem sabe localizar novo endereço. Nem precisa ser um sentimento próprio. Um alugado já alivia tamanho peso. Devo? não sei mas é assim que acontece. Talvez sejam as canções da noite passada. Talvez a madrugada. Só sei que quando amanheço às vezes não recomeço. Estou no fim de mim. As horas tardam. O elevador demora e me atrasa. Ao chegar no térreo meus receios ainda estão no meu andar. Parece que abro a porta e caminho nu pela rua. Percebo pelo pasmo dos contrários. Eles me olham assustados. Continuo sozinho. Um misto de silêncio, de algazarra infantil e de lágrimas me invadem. Por fim, me disperso. E na luz difusa da manhã tenho certeza que o alcanço e ficarei lado a lado.

 

 

Agosto de 2007

foto: Hugo Dias – Solidão

http://www.hugodias.com.pt/

1.10.10

criança

denir pb

Vou
Vou levar
O tempo que for
Vou
Vou levar
Até desvendar caminhos e ver
Como eu chego em você
Vou
Vou levar
Até descobrir
Onde está
O mapa da mina
Eu sei (eu sei)
Criança, eu sei
Mas se você disser
Que quer
Eu tô quase lá...
Vou
Vou levar
O tempo que for
Vou
Vou levar
Até decifrar segredos e ser
O que eu desejo pra você
Vou
Vou levar
Até conseguir
Alcançar
A sua inocência
Eu sei (eu sei)
Criança, eu sei
Mas se você disser
Que quer
Eu vou adorar

 

 marina lima – antonio cícero

 

11.9.10

ps22 chorus

marcelino freire by rodrigo burdman

amizade em drop-shot

Me apaixono com muita facilidade. Hoje bem menos pois aprendi o quanto sofro e padeço quando ela vem e me invade. Mas, de vez em quando, me pego acometido por paixões mais leves. Essa foi há 20 anos. Final de um ciclo. O trabalho, o casamento e o velho "eu". Ele era o novo, um garoto que lia e gostava das coisas que escrevia. Não sei se entendia que era para ele e por ele que eu poetava. Seu nome era Peri. Soube que quase morreu tempos atrás. Salvou-se. Então me sinto livre de contar que alguém por ele, um dia, quase morreu do mal da paixão: tanto amar sem ser amado.

 

Você vai chegando eu troco o disfarce
Você quase não fala eu só respondo
Teus olhos fugazes são meus anabólicos
Você pelos bares eu em casa só lembro
Eu chego na praia você perto do fogo
Você telegrama-falado eu sem teu endereço
Você "outros papos" eu volto no tempo
Eu que insisto você nem sabe que existo
Você enseada eu já mar aberto
Eu pop-balanço você numa batida de reggae
Você madrugada eu noite adentro
Teu sono pesado eu quieto contemplo
Você na alça de mira eu me rendo
Você nem entende eu atrás de presentes
Eu fim de tarde você indo embora
Eu meio tímido você full-contact
Você pensa que engana eu nem me atrevo
Eu perdido no espaço você feito desenho
Eu armando um cinema você nem percebe
Você cumprimenta eu digo obrigado
Você explicando eu “parado no lance”
Eu fico sem graça você nem se ofende
Teu fim de semana eu a todo momento
Uma voz telefônica que eu nunca esqueço
Você no princípio eu corro perigo
Você nem percebe meu coração agradece
Quando bebe você fala o que não deve
Eu tento ser esperto você acaba se ferindo
Eu já sem palavras você mini-série
Eu me esqueço e você tão incerto
Eu na chuva você molhado e com frio
Você tem medo de eu ser teu abrigo
Você com saúde eu viro fã-clube
Eu finjo nosso encontro
Você por aqui sem saída
Eu invento ritmos e você ainda resiste
Você num sorriso que eu guardo comigo
Eu até amanhã você não sabe se deve
Você embora deseje não quer saber do meu beijo
Você "Claro Enigma" e isso só me intriga

 
O que vai ser quando não houver mais segredos?
Você tem coragem que eu chegue tão perto?
Eu sonho de olhos abertos e você nem de leve?
Alguma coisa existe ou nada acontece?
Você quer vir do outro lado da vida?
Vai  brincar ou a gente enlouquece?
Você se arrisca e joga comigo a partida?
Quando te amar você do meu lado adormece?
 

Se não for assim, então deixa . Não serve
Pois a vida, se você não sabe, é um risco
Um golpe de perícia
Ela é só isso

E é breve.

 

Outubro, 1990

paints on ceiling | in a dream